A “dedicação” esperada é mesmo dedicação?

Ano novo sempre é um período de festa, alegria e tudo mais. E nessa onda, várias empresas cobram uma dedicação por parte de seus funcionários (que ultimamente, por todo lugar, vem sendo chamados de “colaboradores”).

Esses movimentos de “motivação” sempre consideram que o quadro de funcionários deve estar sempre animado e pronto pra responder, mostrando sempre sua “dedicação”. Isso é válido sim, mas o problema também está na mentalidade exploradora, egoísta e não criativa de vários administradores, gerentes, chefes e afins do Brasil.

Muitos interpretam “dedicação” como horas extras de trabalho, como disponibilidade incondicional do tempo extra trabalho para realizar atividades relacionadas à empresa. E quem não é “dedicado” é considerado um problema.

Em minha opinião essa interpretação de dedicação é feita dessa forma porque geralmente a equipe de trabalho é fraca – porque as vezes a própria equipe não tem interesse de se desenvolver ou porque não são oferecidos meios de se desenvolver tecnicamente -, porque a gerência não faz direito  (seja por incapacidade ou falta de vontade) um planejamento (tudo é importante, tudo precisa ser entregue para ontem), utilização incorreta de processos – que muitas vezes enrijecessem todo o trabalho – e por fim, as pessoas não sabem medir o valor das coisas porque na verdade não gerenciam.

A verdade é que energia é igual a produtividade, e não o tempo. Trabalhar horas a finco desgasta o organismo, somos humanos. E uma mente cansada não produz e ficar sentado na cadeira será apenas para “cumprir tabela”.

Outra coisa que importa é o valor do que é entregue e não tempo gasto. De nada adianta gastar horas fazendo algo que não terá valor emergencial (de mais importância) para seu cliente.

As empresas de software no Brasil precisar sair do era industrial e vir para era do conhecimento. Porque se fala tanto de inteligência emocional apenas para o lado dos funcionários? Porque não se trata de inteligência emocional para o lado adminstrativo/patronal da coisa? Vivemos o tempo onde o conhecimento se espalha e poucos sabem centralizar isso em si e realmente produzir com eficiência. Não é tempo mais de linhas de produção, de funcionários robóticos. É tempo de realmente torná-los colaboradores reais, fazendo-os participar com opiniões, fazendo-os parte do todo e se sentirem importantes no que fazem, é preciso tirar aquela impressão: “ se você não quer o trabalho tem outros 50 que podem fazer o que você faz por metade de seu salário”. Que jeito alguém se sente colaborador em um ambiente desse? E esse sentimento não é construído apenas com tapinhas na costas mas sim com gratificações reais, dinheiro mesmo!

Muitos chefes já esqueceram de quando eram funcionários – outros nunca chegaram a ser – esqueceram que o crescimento material ou apenas sua manutenção , dependem única e exclusivamente do salário pago, ou seja, a realização do sonho de uma vida está muitas vezes nas mãos de um “patrão”. Nessa, pessoas inconformadas com a situação tomam atitudes diferentes, começam a ter 2, 3 trabalhos por fora – para conseguirem algo melhor para sua família – ou começam a ficar desmotivadas.

Não estou falando de ambição, ou de ter mais do que se pode, mas sim do mínimo para o bem estar, de poder de vez em quando comprar um presente para esposa para expressar um carinho, levar os filhos para passear e ver a alegria deles, de ir a um cinema e distrair a cabeça, de fazer uma pequena reforma na casa, coisas do tipo, que realmente fazem a diferença no interior de cada um, coisas que realmente motivam o ser humano a viver, e não trabalhar, porque se o ser humano está motivado a viver, o trabalho é mera consequência.

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Uma resposta para A “dedicação” esperada é mesmo dedicação?

  1. rodrigo disse:

    muito bom!

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